Galopando, sem direção, sem rumo,
eu vou, pela mata afora, pelos campos inexplorados, ou pelas vilas mal
povoadas. O vento caminha junto comigo, carregando ao meu passo as folhas
solitárias que pintam o chão dos mais variados tons de verde. A noite é a minha
morada, a lua, minha protetora. Mas a escuridão, essa que acompanha a noite, se
transforma em uma estranha e fantasmagórica luz a minha presença... Uma luz
morta, sem brilho. Ao escutar o meu galope, à distância, você pode se sentir
seguro pensando que sou apenas mais um animal solto por aí, mas ao me
aproximar, você verá que está errado. Você sentirá medo e terror, e eu ficarei
feliz vendo sua expressão de assombro. Você tentará correr e se esconder, mas
isso não adianta, eu tenho uma maldição... Uma maldição apavorante que
acompanha meu galope. Eu posso ver qualquer coisa, nenhum detalhe me escapa,
nada pode se esconder perante a mim. Eu sou um ser iluminado pelo fogo maldito,
que arde em minhas estranhas, transformando meu aspecto em algo terrível, assombroso,
algo que você nunca desejará presenciar. Não adianta se esconder, caro amigo.
Eu tenho fogo saindo de meu pescoço, fogo esse que ilumina seu medo e que
queima a sua carne suja, uma maldição que transforma seu pavor em morte. Meu
galope será a ultima coisa que você irá escutar, o meu calor a última sensação
que você irá sentir. Eu não sou uma aberração. Eu sou a Mula sem cabeça.
Uma visão diferente de um clássico do folclore brasileiro, adaptada por mim.

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